Endocrinologia Clínica


 


Endocrinologia Clinica

 

 

O diabetes tipo 2 caracteriza-se pela produção insuficiente de insulina, pelo pâncreas, ou pela incapacidade do organismo de utilizar a insulina produzida de forma eficiente. É mais comum em pessoas com mais de 40 anos, acima do peso, sedentárias, sem hábitos saudáveis de alimentação. Porém, vem crescendo o número de diagnósticos do tipo 2 em indivíduos mais jovens.

Confira 10 coisas que você precisa saber sobre o diabetes tipo 2:

1. O número de casos de diabetes tipo 2 (DM2) vem aumentando nas últimas décadas, em decorrência do aumento do sedentarismo e piora dos hábitos alimentares que caracterizam a vida urbana moderna, levando a consequentes excesso de peso e obesidade.

2. O DM2 manifesta-se apenas em pessoas geneticamente susceptíveis, de modo que ter familiares com diabetes já é um fator de risco para desenvolver a doença.

3. O diagnóstico de diabetes é feito utilizando valores de glicemia de jejum (maior ou igual a 126 mg/dl em duas ocasiões) ou após a ingestão de uma quantidade específica de glicose (colhendo-se a glicemia 2 horas depois com valor maior ou igual a 200 mg/dl).

4. Em glicemia aleatória colhida em qualquer momento um valor maior ou igual a 200 mg/dl, na presença dos sintomas clássicos também confere o diagnóstico de diabetes.

5. O desenvolvimento do DM2 ocorre ao longo de anos e pessoas com valores de glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dl e/ou entre 140 e 199 mg/dl são diagnosticadas como portadoras de pré-diabetes. Estes valores já não são mais normais, porém não são tão elevados para classificar o indivíduo como diabético.

6. Quem tem pré-diabetes não apresenta os sintomas clássicos de diabetes: aumento da sede, do volume urinário e perda não explicada de peso. No entanto, já possui maiores chances de apresentar problemas graves de saúde como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

7. As mudanças de estilo de vida são o primeiro passo para redução do peso corporal e controle dos valores da glicemia. Reduzir as atividades sedentárias e aumentar a atividade física programada (tais como caminhada, corrida, natação) ou espontânea (por exemplo, subir escadas, não utilizar o carro para percorrer pequenas distâncias) é fundamental.

8. A mudança na alimentação não deve ser realizada utilizando como base dietas da moda. É necessário reduzir a ingestão calórica, o consumo de carnes gordas e embutidos, aumentar o consumo de fibras, com o aumento de grãos integrais, leguminosas hortaliças e frutas e limitar a ingestão de bebidas e comidas açucaradas.

9. Embora haja evidência de uma relação entre bactérias intestinais e obesidade com suas alterações metabólicas, até o momento não há nada conclusivo para se recomendar mudanças alimentares baseadas nestes achados.

10. O DM2 é caracterizado por uma combinação de resistência à ação da insulina e deficiência na produção deste hormônio, além de alterações na resposta incretínica intestinal. o DM2 é o tipo mais comum de diabetes, correspondendo a 95% dos casos no mundo.

obesidade é uma doença crônica, que afeta um número elevado de pessoas por todo o mundo. Porém, opção por uma rotina alimentar saudável e a prática de exercícios físicos podem contribuir com a prevenção e tratamento. Confira abaixo as 10 Coisas que Você Precisa Saber sobre a Obesidade:

1 – A obesidade é caracterizada pelo acúmulo de gordura corporal e pode acarretar graves problemas de saúde e levar até à morte. Segundo dados do IBGE, o Brasil tem cerca de 27 milhões de pessoas consideradas obesas. Somando o total de indivíduos acima do peso, o montante chega a quase 75 milhões.

2- A obesidade é diagnosticada através do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). Ele é feito da seguinte forma: divide-se o peso (em Kg) do paciente pela sua altura (em metros) elevada ao quadrado. De acordo com o padrão utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quando o resultado fica entre 18,5 e 24,9 kg/m2, o peso é considerado normal. Entre 25,0 e 29,9 kg/m2, sobrepeso, e acima deste valor, a pessoa é considerada obesa.

3- Conforme a magnitude do excesso de peso pode-se, de acordo co o IMC, classificar o grau de obesidade do paciente em: obesidade leve (classe 1 – IMC 30 a 34,9 kg/m2), moderada (classe 2 – IMC 35 a 39,9 kg/m2) e grave ou mórbida (classe 3 – IMC ≥ 40 kg/m2). Essa classificação é importante na escolha do tipo de tratamento, quando deve ser clínico ou cirúrgico.

4- A obesidade é fator de risco para uma série de doenças. O obeso tem mais propensão a desenvolver problemas como hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, além de problemas físicos como artrose, pedra na vesícula, artrite, cansaço, refluxo esofágico, tumores de intestino e de vesícula.

5- A obesidade pode, também, mexer com fatores psicológicos, acarretando diminuição da autoestima e depressão.

6- São muitas as causas da obesidade. Em uma pessoa geneticamente predisposta, os maus hábitos alimentares e sedentarismo precipitarão o desenvolvimento da obesidade. Algumas disfunções endócrinas também podem levar ao desenvolvimento da obesidade. Por isso, na hora de pensar em perder peso, procure um especialista.

7- Para o tratamento da obesidade, médicos podem usar fatores de risco e outras doenças para terem a noção da gravidade da situação do paciente. Por exemplo, apnéia do sono, diabetes mellitus tipo 2 e arteriosclerose são doenças que indicam a necessidade de uso de medicamentos da obesidade já em pacientes com sobrepeso (IMC 25 – 29,9 kg/m2).

8- A Lei 11.721/2008 determina que o 11 de outubro é Dia Nacional de Prevenção da Obesidade. A data havia sido criada, há cerca de dez anos, pela Federação Latino-Americana de Obesidade, porém reconhecida, em 1999, pelo Governo Federal e instituída no Brasil, na época, com o nome de Dia Nacional de Combate à Obesidade. A World Obesity também adota o dia 11 de outubro como o dia mundial da obesidade.

9- A prevenção contra a obesidade passa pela conscientização da importância da atividade física e da alimentação adequada. O estilo de vida sedentário, as refeições com poucos vegetais e frutas, além do excesso de alimentos ricos em gordura e açúcar precipitam o aumento do número pessoas obesas, em todas as faixas etárias, inclusive crianças.

10 -Está comprovado que relacionamentos sociais e romances são menos frequentes entre obesos, já que eles saem menos de casa devido à diminuição da autoestima. Agora, uma vez existindo o relacionamento, a obesidade pode interferir no relacionamento sexual. Ela está relacionada à redução da testosterona, o que pode levar a redução de libido e a problemas de ereção nos homens. Já nas mulheres, existe uma redução dos níveis de hormônio feminino e aumento no nível dos masculinizantes. As mulheres podem apresentar aumento de pêlos, irregularidade menstrual e infertilidade. As chances de todos esses problemas se resolverem, com uma perda de peso na ordem de 10%, são bem grandes.

 

Com forma bem parecida com a de uma borboleta, a glândula tireoide é localizada na parte anterior do pescoço, logo abaixo do Pomo de Adão. Reguladora da função de importantes órgãos como o coração, o cérebro, o fígado e os rins, ela produz os hormônios T3 (triiodotironina) e o T4 (tiroxina).

Quando a tireoide não funciona de maneira correta, pode liberar hormônios em quantidade insuficiente, causando o hipotireoidismo,  ou em excesso, ocasionando o hipertireoidismo. Nessas duas situações, o volume da glândula pode aumentar, o que é conhecido como bócio.

Confira, abaixo, as 10 coisas que você precisa saber sobre Tireoide.

1 – A tireoide atua no crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes, no peso, na memória, na regulação dos ciclos menstruais, na fertilidade, na concentração, no humor e no controle emocional.

2 – Quando ocorre o hipotireoidismo, o coração bate mais devagar, o intestino não funciona corretamente e o crescimento pode ficar comprometido.

3 – Diminuição da memória, cansaço excessivo, dores musculares e articulares, sonolência, aumento dos níveis de colesterol no sangue e depressão também são sintomas de hipotireoidismo.

4 – No caso de hipertireoidismo, que geralmente causa emagrecimento, o coração dispara, o intestino solta, a pessoa fica agitada, fala demais, gesticula muito, dorme pouco, sente-se com muita energia, embora também esteja cansada.

5 – Em um adulto, a tireoide pode chegar a até 25 gramas.

6 – Disfunções na tireoide podem acontecer em qualquer etapa da vida e são de simples de se diagnosticar. Além disso, elas podem ocorrer mesmo sem o bócio.

7 – O reconhecimento de um nódulo na tireoide pode salvar uma vida. Por isso, a palpação da glândula é de fundamental importância. Se identificado o nódulo, o endocrinologista deve solicitar uma série de exames complementares para confirmar ou descartar a presença de câncer.

8 – Estima-se que 60% da população brasileira tenha nódulos na tireoide em algum momento da vida. Mas isso não significa que sejam malignos. Apenas 5% são cancerosos.

9 – Além de se parecer com uma borboleta, a tireoide também lembra o formato de um escudo. Daí o surgimento de seu nome: uma aglutinação dos termos thyreós (escudo) e oidés (forma de).

10 – Algumas crianças podem nascer com hipotireoidismo. Para detectá-lo, é realizado o chamado Teste do Pezinho, que deve ser feito, preferencialmente, entre o terceiro e quinto dia de vida do bebê.

 

O uso de anabolizantes vem se tornando, a cada dia, um hábito comum, principalmente pelas pessoas que praticam esportes, para aumentar a competitividade, ajudar na cura de lesões ou simplesmente por questões estéticas.

Porém, o consumo excessivo desse tipo de produto é muito perigoso e pode causar danos irreparáveis ao corpo humano.

1. Os esteroides androgênicos anabólicos, mais conhecidos como anabolizantes, são um produto derivado principalmente da testosterona, hormônio responsável por muitas características que diferem homem e mulher. Eles atuam no crescimento celular e em tecidos do corpo, como o ósseo e o muscular.

2. O uso de anabolizantes gera efeitos colaterais, tanto em homens e mulheres, como: aumento de acnes, queda do cabelo, distúrbios da função do fígado, tumores no fígado, explosões de ira ou comportamento agressivo, paranóia, alucinações, psicoses, coágulos de sangue, retenção de líquido no organismo, aumento da pressão arterial e risco de adquirir doenças transmissíveis (AIDS, Hepatite).

3. No caso das mulheres, o uso de anabolizantes pode gerar características masculinas no corpo, como engrossamento da voz e surgimento de pelos além do normal. Além disso, aumento do tamanho do clitóris, irregularidade ou interrupção das menstruações, diminuição dos seios e aumento de apetite.

4. Nos homens, o excesso de anabolizantes pode causar aparecimento de mamas, redução dos testículos, diminuição da contagem dos espermatozoides e calvície.

5.Em adolescentes, as consequências podem ser piores, como comprometimento do crescimento, maturação óssea acelerada, aumento da frequência e duração das ereções, desenvolvimento sexual precoce, hipervirilização, crescimento do falo (hipogonadismo ou megalofalia), aumentos dos pelos púbicos e do corpo, além do ligeiro crescimento de barba.

6. Esses hormônios podem ser usados clinicamente e, ocasionalmente, serem prescritos sob orientação médica para repor o hormônio deficiente em alguns homens e para ajudar pacientes com aids a recuperar peso. Nos casos de necessidade clínica, os pacientes são indicados a tomarem apenas doses mínimas para apenas regularizar sua disfunção.

7. O uso das injeções de anabolizantes esteroides pode levar ao risco de infecção pelo HIV e vírus da hepatite, se as agulhas forem compartilhadas. Esteroides Anabólicos obtidos sem uma prescrição não são confiáveis, pois podem conter outras substâncias, os frascos podem não ser estéreis e, além disso, é possível que nem esteroides contenham.

8. Usar anabolizantes para fins estéticos ou para aumentar o rendimento esportivo é proibido, além de ser de grande risco para a saúde. Entretanto, por aumentarem a massa muscular, estas drogas têm sido cada vez mais procuradas e utilizadas por alguns atletas para melhorar a performance física e por outras pessoas para obter uma melhor aparência muscular.

9. Um estudo de 2007 traçou o perfil do usuário de anabolizantes no mundo. De acordo com os dados, o usuário típico não é o adolescente ou o atleta, mas o homem de cerca de 30 anos, bem educado e com renda alta, segundo um estudo publicado hoje. Foram pesquisados 2.663 homens e mulheres de 81 países, indicando que o motivo principal para o uso desses compostos é o aumento da musculatura.

10. Muitos atletas consomem anabolizantes a fim de conseguirem uma melhora na performance dentro do esporte. Os anabolizantes, quando entram em contato com as células do tecido muscular, aumentam o tamanho dos músculos do corpo humano. Porém, isso é caracterizado Doping, e o esportista pode ser punido por isso, como já ocorreu em inúmeros casos. Dependendo da situação, o atleta pode ser banido do esporte.

 

É um ponto positivo saber que a maioria dos leitores tenha acertado a enquete e para melhorar o conhecimento, o site da SBEM publica agora as “10 coisas que você precisa saber sobre Adrenal”.

1 – As glândulas suprarrenais ou adrenal, como também são chamadas, são glândulas pequenas, componentes do sistema endócrino. Elas estão localizadas acima de cada rim.

2 – Cada uma delas possui cerca de 5cm de diâmetro, sendo dividida em duas partes principais: uma camada externa, conhecida como córtex, e uma parte central, chamada de medula.

3 – O córtex da suprarrenal é responsável por sintetizar hormônios importantes no processo metabólico, como a aldosterona e o cortisol, além de alguns hormônios sexuais como a androstenediona, que pode ser convertido em testosterona no testículo ou ovário. A medula da suprarrenal produz noradrenalina e adrenalina, denominadas catecolaminas.

4 – A adrenalina e a noradrenalina são hormônios importantes na ativação dos mecanismos de defesa do organismo, diante de condições de estresse, tais como emoções fortes, infecções, doenças graves, entre outros. Eles preparam o organismo para a fuga ou luta. A adrenalina aumenta o ritmo cardíaco e a pressão sanguínea, em resposta ao estresse ou ansiedade. O fluxo sanguíneo para os músculos aumenta, a pele empalidece, as pupilas dos olhos dilatam e o fígado libera glicose no sangue. Estas alterações preparam o corpo para ação imediata.

5 – A adrenalina ainda pode ser utilizada como medicamento no tratamento do estado de choque, nos ataques agudos de alergia e na asma grave. Também é utilizada para diminuir a absorção dos anestésicos locais, aumentando, assim, seu efeito e reduzindo o sangramento, especialmente em cirurgias dermatológicas.

6 – A aldosterona produzida pelo córtex controla a retenção ou excreção de sódio e potássio. Enquanto o cortisol, outro hormônio produzido pelo córtex, atua principalmente no metabolismo dos açúcares e lipídios, além de influenciar o sistema imunológico, o colágeno da pele e o funcionamento do cérebro.

7 – Entre as doenças associadas a distúrbios na produção de hormônios na glândula suprarenal estão a Doença de Addison, a Síndrome de Cushing e o Feocromocitoma. Os tumores benignos, que se originam do córtex da glândula suprarrenal, são frequentes, mas o carcinoma que se origina do córtex da suprarrenal é bastante raro. Os tumores que se originam da medula, parte mais interna da suprarrenal, são denominados feocromocitomas e produzem catecolaminas.

8 – A Doença de Addison, também conhecida como insuficiência suprarrenal crônica ou hipocortisolismo, é uma rara doença endocrinológica. Ela progride lentamente e os sintomas podem ser discretos ou ausentes até que ocorra uma situação de estresse. Os sintomas mais comuns são: fadiga crônica, com piora progressiva; fraqueza muscular; perda de apetite; perda de peso; náusea e vômitos; diarréia; hipotensão, que piora ao se levantar; áreas de hiperpigmentação (pele escurecida); irritabilidade; depressão; vontade de ingerir sal e alimentos salgados; e hipoglicemia (esse sintoma mais frequente em crianças).

9 – A Síndrome de Cushing é uma doença endócrina, causada por níveis elevados de cortisol no sangue. Os principais sintomas são o aumento de peso, com a gordura se depositando no tronco e no pescoço. Ocorre, também, afilamento dos braços e das pernas com diminuição da musculatura e, consequentemente, fraqueza muscular, que se manifesta principalmente quando o paciente caminha ou sobe escadas. A pele vai se tornando fina e frágil, fazendo com que surjam hematomas sem o paciente notar que bateu ou contundiu o local. Sintomas gerais como fraqueza, cansaço fácil, nervosismo, insônia e labilidade emocional também podem ocorrer.

10 – Feocromocitomas são tumores, geralmente benignos, formados por células produtoras de catecolaminas. Costumam se originar da medula da suprarrenal, mas podem se localizar nos gânglios ao lado da coluna vertebral. O quadro clínico mais típico são as chamadas crises adrenérgicas: episódios de palpitação (aceleração do coração), elevações de pressão arterial, dor de cabeça e sudorese.

Responsável por diagnosticar e tratar doenças relacionadas com os hormônios e o metabolismo, o endocrinologista cuida desde doenças muito prevalentes como diabetes, obesidade, distúrbios de tireoide; até outras mais raras como acromegalia e Síndrome de Cushing, entre outras.

Cirurgias Metabólicas

O BYPASS GÁSTRICO (BYPASS EM Y ROUX), FUNCIONA POR 3 MECANISMOS DIFERENTES: REDUZ A QUANTIDADE DE ALIMENTOS QUE CONSEGUE INGERIR, REDUZ A ABSORÇÃO DOS NUTRIENTES DA COMIDA INGERIDA E ALTERA A DISPONIBILIDADE BIOLÓGICA DOS NUTRIENTES E A PRODUÇÃO DE HORMONAS DEPENDENTES DO INTESTINO.

Na realização do bypass, o cirurgião cria uma pequena bolsa gástrica (excluindo ~90% do estômago) e realiza a sua ligação com o intestino delgado, cerca de 2 metros mais à frente.

Este procedimento ajuda a perder peso porque:

  • a pequena bolsa gástrica e a anastomose (ligação artifical entre o estômago e o intestino) limita o volume de comida tolerado pelo estômago, transmitindo uma sensação de saciedade após uma pequena ingestão alimentar (com o tempo, esta bolsa pode dilatar, fazendo com que tolere a ingestão de maiores volumes);
  • o organismo absorve menos calorias, visto que a comida ultrapassa a maior parte do estômago e do intestino delgado proximal. Esta alteração anatómica, diminui o apetite, diminui a absorção dos alimentos e altera a produção de diversas hormonas.

A cirurgia é realizada por 5 pequenas incisões, com o auxílio de 1 câmara de vídeo (laparoscopia). É um procedimento teoricamente definitivo, com um risco de complicações pós-operatórias de <5% e uma mortalidade de ~0,1%. As principais complicações são a deiscência da anastomose (dificuldade de cicatrização da “ligação” efectuada entre o estômago e o intestino), a infecção intra-abdominal e a hemorragia. A longo prazo, podem surgir complicações como a estenose (aperto) da anastomose, úlceras, hérnias ou hipoglicemias.

O BYPASS GÁSTRICO É RECONHECIDA COMO A TÉCNICA DE ELEIÇÃO E A PERDA DE PESO ESPERADA É DE ~80% DO EXCESSO DE PESO, CERCA DE 80% DOS PACIENTES ATINGEM UM IMC < 30, CERCA DE 1 ANO APÓS A CIRURGIA.

 

O SLEEVE GÁSTRICO (GASTRECTOMIA VERTICAL) É UMA CIRURGIA QUE REDUZ O TAMANHO DO ESTÔMAGO, TRANSFORMANDO-O NUM TUBO ESTREITO. O NOVO ESTÔMAGO É MUITO MAIS PEQUENO, TOLERA MENOR VOLUME ALIMENTAR E PRODUZ MENOR QUANTIDADE DE UMA HORMONA (GRELINA) QUE PARECE SER RESPONSÁVEL PELA SENSAÇÃO DE FOME, AJUDANDO A SENTIR UMA SACIEDADE MAIS PRECOCE.

O Sleeve Gástrico é considerado menos invasivo do que o Bypass Gástrico, porque não existe rearranjo do trânsito intestinal e menor hipótese de défices nutricionais; e mais seguro do que a Banda Gástrica dado que não existe implantação de nenhum corpo estranho.

É uma cirurgia definitiva e as principais complicações são decorrentes da linha de sutura ao longo do estômago. A incidência de fístulas da linha de sutura ronda o 1-3%. A longo prazo podem surgir complicações decorentes, quer da estenose (aperto), quer da dilatação da bolsa gástrica.

A NÍVEL DE PERDA DE PESO, PARECE SER UMA TÉCNICA INTERMÉDIA ENTRE A BANDA GÁSTRICA E O BYPASS GÁSTRICO, COM UMA PERDA DE EXCESSO DE PESO ESPERADA DE ~60-70%.

 

A BANDA GÁSTRICA AJUSTÁVEL É UM DISPOSITIVO COLOCADO CIRURGICAMENTE EM REDOR DA PARTE INICIAL DO ESTÔMAGO, O QUE LIMITA A QUANTIDADE DE COMIDA QUE CONSEGUE INGERIR. ESTE PROCEDIMENTO É REALIZADO POR 4 A 5 PEQUENAS INCISÕES NA PAREDE ABDOMINAL, COM O AUXÍLIO DE UMA CÂMARA DE VÍDEO (LAPAROSCOPIA).

A Banda Gástrica é um procedimento em abandono crescente, apesar de popular, por ser um procedimento simples, com baixo risco de complicações e facilmente reversível. No entanto, a perda de peso, depende totalmente da sua capacidade de cumprir o regime pós-operatório e até 50% das pessoas, acabam por sofrer complicações relacionadas com a banda, necessitando de algum tipo de reintervenção.

A Banda Gástrica, pode ser ajustada após a cirurgia, permitindo a passagem mais fácil ou difícil dos alimentos, através de uma picada num reservatório colocado por baixo da pele.

A Banda Gástrica, não é recomendada se a sua dieta for rica em calorias derivadas de alimentos líquidos ou moles (p.ex. gelados ou batidos), uma vez que o efeito de saciedade precoce não é atingido. Os resultados são muito variáveis e a perda de peso média varia entre os 50-70% do excesso de peso nos primeiros 2 anos após a cirurgia e os melhores resultados são conseguidos pelos pacientes que mantêm um seguimento clínico apertado após o procedimento.

 

NA CIRURGIA BARIÁTRICA, PODEM OCORRER UMA SÉRIE DE COMPLICAÇÕES, E O SEU RISCO DEPENDE DO ACTO CIRÚRGICO EM SI E DOS PROBLEMAS DE SAÚDE QUE TENHA ANTES DA CIRURGIA.

Algumas das complicações mais frequentes no período pós-operatório precoce incluem:

  • Hemorragia
  • Infecção
  • Fístula da anastomose ou perfuração intestinal
  • Obstrução intestinal
  • Necessidade de re-operação

As complicações “médicas” mais comuns incluem os coágulos nas pernas ou pulmões (tromboembolismo), enfarte do miocárdio, pneumonia e infecção urinária.

AS COMPLICAÇÕES PODEM SURGIR EM QUALQUER SITUAÇÃO E CIRURGIA E PODERÃO NECESSITAR DE CUIDADOS DIFERENCIADOS.

O risco de mortalidade após cirurgia bariátrica existe, sendo estimado em cerca de 0,1% (1 em cada 1000 doentes).

Alguns efeitos laterais e complicações que podem ocorrer a longo prazo são:

  • Complicações mecânicas com a banda gástrica (deslizamento, migração ou infecção)
  • Défice de absorção de alguns nutrientes (especialmente se não for cumprido o suplemento multivitamínico recomendado no pós-operatório). Caso estes défices não sejam tratados precocemente, podem resultar em défices definitivos, nomeadamente a nível do sistema nervoso central. Queda de cabelo, fadiga e anemia, podem ocorrer, por deficiência de absorção de alguns minerais e vitaminas.
  • Hipoglicemias ou Síndrome de Dumping (intolerância, vómitos, diarreia e mal-estar após a ingestão de determinados alimentos).
  • Estenoses ou úlceras das anastomoses (conexões cirúrgicas entre 2 segmentos do tubo digestivo)
  • Hérnias da parede abdominal ou hérnias internas
  • Reganho de peso.

Algumas destas complicações tardias, podem necessitar de reintervenção cirúrgica para o seu tratamento.

Confira as 10 coisas que você precisa saber sobre o endocrinologista:

  1. A Endocrinologia e Metabologia é a especialidade médica que trata desde doenças bastante prevalentes como diabetes, obesidade, distúrbios de tireoide; até outras mais raras como acromegalia e Cushing, entre outras (vejam também uma lista de atividades dos campos de atuação). Trata, portanto, de doenças relacionadas aos hormônios que podem estar sendo produzidos em quantidade insuficiente ou em excesso.
  2. O CFM reconhece 55 Especialidades médicas, entre elas a Endocrinologia e Metabologia e, ligadas a essas, 59 áreas de atuação (Resolução CFM 2.221/2018 . Duas dessas áreas de atuação são relacionadas à Endocrinologia e Metabologia: a Endocrinologia Pediátrica e a Densitometria Mineral Óssea.
  3. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia é reconhecida como a representante exclusiva da especialidade de Endocrinologia e Metabologia no Brasil e representa o Departamento desta especialidade na Associação Médica Brasileira (AMB).
  4. O tempo de formação de um endocrinologista é de, no mínimo, 10 anos: tempo de faculdade (seis anos) + Residência em Clínica Médica (2 anos) + Residência em Endocrinologia e Metabologia (dois anos).
  5. O Título de Especialista é aquele concedido pelas sociedades de especialidades, por meio da Associação Médica Brasileira – AMB, ou pelos programas de Residência Médica,  credenciados pela Comissão Nacional de Residência Médica – CNRM (parágrafo único do Art 2º Decreto Nº 8.516, de 10 de setembro de 2015.
  6. Para obter o Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia (concedido pela SBEM através da AMB), o profissional submete-se a uma prova em duas etapas: uma teórica e outra com base em prática clínica. O concurso para essa prova é realizado uma vez por ano. No entanto, não basta ter o certificado para divulgar que é especialista. É obrigatório o registro do certificado no Conselho Regional de Medicina (CRM), onde o profissional atua para obter o Registro de Qualificação de Especialidade (RQE). A Resolução 1974/2011 do Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe a publicidade de especialista sem esse registro (informações neste link). Um médico pode atuar em, no máximo, 2 (duas) especialidades. (artigo 1º, Inciso III, Decreto-Lei 4.113/42 ).
  7. Também para as duas áreas de atuação é necessária a qualificação. A SBEM e a Sociedade Brasileira de Pediatria organizam anualmente a prova para obtenção do Certificado de Área de Atuação em Endocrinologia Pediátrica (CAAEP). A qualificação em Densitometria Óssea pode ser obtida por concurso através do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem / AMB.
  8. A Resolução do CFM 1974/2011 define anúncio, publicidade ou propaganda, a comunicação ao público, por qualquer meio de divulgação, de atividade profissional de iniciativa, participação e/ou anuência do médico (artigo 1º). Portanto, a publicidade da especialidade sem o registro é vedada em todos os meios, sejam os próprios receituários, seja no carimbo pessoal, seja em redes sociais, seja através de Planos de Saúde, seguradoras e convênios, pois mesmo essa possível divulgação “indireta” considera a anuência do médico.
  9. Também é proibida ao médico a divulgação de especialidade ou área de atuação que não for reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (conforme lista da Resolução CFM 2.221/2018). Esta Resolução deixa claro que não se pode anunciar ser especialista usando termos como “Hormonologia”, “Modulação Hormonal” ou quaisquer outros termos que não sejam, para a especialidade que se refere aos hormônios, a única reconhecida pelo CFM, que é a Endocrinologia e Metabologia. A resolução do CFM 1974/2011 em seu Art. 3º proíbe o médico de: – Anunciar, quando não especialista, que trata de sistemas orgânicos, órgãos ou doenças específicas, por induzir a confusão com divulgação de especialidade;- Permitir que seu nome circule em qualquer mídia, inclusive na internet, em matérias desprovidas de rigor científico; – Fazer propaganda de método ou técnica não reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como válido para a prática médica (esse item já com novo texto alterado pela Resolução CFM nº 2.126/2015).
  10. Para saber se um profissional médico possui Registro de Qualificação de Especialidade basta acessar o site do CFM . Denúncias de profissionais que divulgam especialidades sem o referido RQE em Endocrinologia e Metabologia poderão ser encaminhadas para SBEM Nacional através do e-mail cdap@endocrino.org.br

Dr. Paulo Meira

(CRM (MG) 19577 • RQE 13157 )

• Mestre em Medicina
• Bacharel em Medicina
• Especialização em Endocrinologia e Metabologia

Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia