Cirurgias Metabólicas

Cirurgias Metabólicas

O BYPASS GÁSTRICO (BYPASS EM Y ROUX), FUNCIONA POR 3 MECANISMOS DIFERENTES: REDUZ A QUANTIDADE DE ALIMENTOS QUE CONSEGUE INGERIR, REDUZ A ABSORÇÃO DOS NUTRIENTES DA COMIDA INGERIDA E ALTERA A DISPONIBILIDADE BIOLÓGICA DOS NUTRIENTES E A PRODUÇÃO DE HORMONAS DEPENDENTES DO INTESTINO.

Na realização do bypass, o cirurgião cria uma pequena bolsa gástrica (excluindo ~90% do estômago) e realiza a sua ligação com o intestino delgado, cerca de 2 metros mais à frente.

Este procedimento ajuda a perder peso porque:

  • a pequena bolsa gástrica e a anastomose (ligação artifical entre o estômago e o intestino) limita o volume de comida tolerado pelo estômago, transmitindo uma sensação de saciedade após uma pequena ingestão alimentar (com o tempo, esta bolsa pode dilatar, fazendo com que tolere a ingestão de maiores volumes);
  • o organismo absorve menos calorias, visto que a comida ultrapassa a maior parte do estômago e do intestino delgado proximal. Esta alteração anatómica, diminui o apetite, diminui a absorção dos alimentos e altera a produção de diversas hormonas.

A cirurgia é realizada por 5 pequenas incisões, com o auxílio de 1 câmara de vídeo (laparoscopia). É um procedimento teoricamente definitivo, com um risco de complicações pós-operatórias de <5% e uma mortalidade de ~0,1%. As principais complicações são a deiscência da anastomose (dificuldade de cicatrização da “ligação” efectuada entre o estômago e o intestino), a infecção intra-abdominal e a hemorragia. A longo prazo, podem surgir complicações como a estenose (aperto) da anastomose, úlceras, hérnias ou hipoglicemias.

O BYPASS GÁSTRICO É RECONHECIDA COMO A TÉCNICA DE ELEIÇÃO E A PERDA DE PESO ESPERADA É DE ~80% DO EXCESSO DE PESO, CERCA DE 80% DOS PACIENTES ATINGEM UM IMC < 30, CERCA DE 1 ANO APÓS A CIRURGIA.

 

O SLEEVE GÁSTRICO (GASTRECTOMIA VERTICAL) É UMA CIRURGIA QUE REDUZ O TAMANHO DO ESTÔMAGO, TRANSFORMANDO-O NUM TUBO ESTREITO. O NOVO ESTÔMAGO É MUITO MAIS PEQUENO, TOLERA MENOR VOLUME ALIMENTAR E PRODUZ MENOR QUANTIDADE DE UMA HORMONA (GRELINA) QUE PARECE SER RESPONSÁVEL PELA SENSAÇÃO DE FOME, AJUDANDO A SENTIR UMA SACIEDADE MAIS PRECOCE.

O Sleeve Gástrico é considerado menos invasivo do que o Bypass Gástrico, porque não existe rearranjo do trânsito intestinal e menor hipótese de défices nutricionais; e mais seguro do que a Banda Gástrica dado que não existe implantação de nenhum corpo estranho.

É uma cirurgia definitiva e as principais complicações são decorrentes da linha de sutura ao longo do estômago. A incidência de fístulas da linha de sutura ronda o 1-3%. A longo prazo podem surgir complicações decorentes, quer da estenose (aperto), quer da dilatação da bolsa gástrica.

A NÍVEL DE PERDA DE PESO, PARECE SER UMA TÉCNICA INTERMÉDIA ENTRE A BANDA GÁSTRICA E O BYPASS GÁSTRICO, COM UMA PERDA DE EXCESSO DE PESO ESPERADA DE ~60-70%.

A BANDA GÁSTRICA AJUSTÁVEL É UM DISPOSITIVO COLOCADO CIRURGICAMENTE EM REDOR DA PARTE INICIAL DO ESTÔMAGO, O QUE LIMITA A QUANTIDADE DE COMIDA QUE CONSEGUE INGERIR. ESTE PROCEDIMENTO É REALIZADO POR 4 A 5 PEQUENAS INCISÕES NA PAREDE ABDOMINAL, COM O AUXÍLIO DE UMA CÂMARA DE VÍDEO (LAPAROSCOPIA).

A Banda Gástrica é um procedimento em abandono crescente, apesar de popular, por ser um procedimento simples, com baixo risco de complicações e facilmente reversível. No entanto, a perda de peso, depende totalmente da sua capacidade de cumprir o regime pós-operatório e até 50% das pessoas, acabam por sofrer complicações relacionadas com a banda, necessitando de algum tipo de reintervenção.

A Banda Gástrica, pode ser ajustada após a cirurgia, permitindo a passagem mais fácil ou difícil dos alimentos, através de uma picada num reservatório colocado por baixo da pele.

A Banda Gástrica, não é recomendada se a sua dieta for rica em calorias derivadas de alimentos líquidos ou moles (p.ex. gelados ou batidos), uma vez que o efeito de saciedade precoce não é atingido. Os resultados são muito variáveis e a perda de peso média varia entre os 50-70% do excesso de peso nos primeiros 2 anos após a cirurgia e os melhores resultados são conseguidos pelos pacientes que mantêm um seguimento clínico apertado após o procedimento.

NA CIRURGIA BARIÁTRICA, PODEM OCORRER UMA SÉRIE DE COMPLICAÇÕES, E O SEU RISCO DEPENDE DO ACTO CIRÚRGICO EM SI E DOS PROBLEMAS DE SAÚDE QUE TENHA ANTES DA CIRURGIA.

Algumas das complicações mais frequentes no período pós-operatório precoce incluem:

  • Hemorragia
  • Infecção
  • Fístula da anastomose ou perfuração intestinal
  • Obstrução intestinal
  • Necessidade de re-operação

As complicações “médicas” mais comuns incluem os coágulos nas pernas ou pulmões (tromboembolismo), enfarte do miocárdio, pneumonia e infecção urinária.

AS COMPLICAÇÕES PODEM SURGIR EM QUALQUER SITUAÇÃO E CIRURGIA E PODERÃO NECESSITAR DE CUIDADOS DIFERENCIADOS.

O risco de mortalidade após cirurgia bariátrica existe, sendo estimado em cerca de 0,1% (1 em cada 1000 doentes).

Alguns efeitos laterais e complicações que podem ocorrer a longo prazo são:

  • Complicações mecânicas com a banda gástrica (deslizamento, migração ou infecção)
  • Défice de absorção de alguns nutrientes (especialmente se não for cumprido o suplemento multivitamínico recomendado no pós-operatório). Caso estes défices não sejam tratados precocemente, podem resultar em défices definitivos, nomeadamente a nível do sistema nervoso central. Queda de cabelo, fadiga e anemia, podem ocorrer, por deficiência de absorção de alguns minerais e vitaminas.
  • Hipoglicemias ou Síndrome de Dumping (intolerância, vómitos, diarreia e mal-estar após a ingestão de determinados alimentos).
  • Estenoses ou úlceras das anastomoses (conexões cirúrgicas entre 2 segmentos do tubo digestivo)
  • Hérnias da parede abdominal ou hérnias internas
  • Reganho de peso.

Algumas destas complicações tardias, podem necessitar de reintervenção cirúrgica para o seu tratamento.

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