EVOLUÇÃO NATURAL E DESFECHOS CLÍNICOS EM PACIENTES COM ANGINA ESTÁVEL CRÔNICA

EVOLUÇÃO NATURAL E DESFECHOS CLÍNICOS EM PACIENTES COM ANGINA ESTÁVEL CRÔNICA

Utilizando os dados de 32.691 pacientes com DAC estável e participantes do registro CLARIFY, os autores identificaram o padrão anginoso anual de pacientes sem nova revascularização ou novo IAM e investigaram a prevalência de angina estável, sua evolução natural e a ocorrência de desfechos clínicos, dadas as possibilidades efetivas de tratar, farmacológicas e revascularização.

O efeito das mudanças no padrão anginoso durante um ano, sobre os desfechos clínicos para cinco anos foi estimado em análise multivariada.

Entre os 7.212 (22,1%) pacientes com angina reportada no período basal, a angina desapareceu (sem revascularização coronária) em 39,6% durante um ano, com mais reduções anuais. Em pacientes com angina basal, a cada ano, entre 2% e 4,8% desenvolveram angina.

Durante os cinco anos de seguimento, a angina foi controlada em 7.773 pacientes, nos quais a resolução da angina foi obtida com o incremento do tratamento antianginoso em 11,1%, com revascularização coronária em 4,5% e sem nenhuma mudança em medicações ou revascularização, em 84,4%.

Comparados aos pacientes sem angina basal, aqueles com angina persistente e sob tratamento conservador, associaram-se com maior taxa de morte CV ou de IAM (HR 1,32 IC 95%:1,12-1,55) aos cinco anos de evolução.

Comparados aos pacientes sem angina ao longo de um ano, aqueles com ocorrência de angina em um ano e sob tratamento conservador, associaram-se com maior taxa de morte CV ou de IAM (HR 1,37 IC 95%:1,11-1,70) aos cinco anos de evolução.

Os pacientes com resolução da angina ao longo de um ano e sob tratamento conservador, não apresentaram maior risco de morte CV ou IAM, que aqueles que nunca experimentaram angina (HR 0,97 IC 95%:0,82-1,15).

Os autores concluíram que a angina afeta cerca de um quarto dos pacientes com DAC estável, mas se resolve sem eventos ou revascularização na maioria dos pacientes. A resolução da angina em um ano com tratamento conservador apresenta desfechos similares aos pacientes sem angina, enquanto angina persistente ou a ocorrência de angina, associam-se com piora nos desfechos clínicos. Como a maioria dos pacientes com angina comumente evoluem com a resolução dos sintomas, e apresentam, como rotina, ausência de demonstração clara do benefício da revascularização, os dados enfatizam o valor do tratamento conservador na DAC estável.

Referência: Mesnier J et al. International Observational Analysis of Evolution and Outcomes of Chronic Stable Angina: The Multinational Observational CLARIFY Study. Circulation. 2021; DOI: 10.1161/CIRCULATIONAHA.121.054567.

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