Comparação de leitura automatizadas da pressão arterial

Comparação de leitura automatizadas da pressão arterial

Comparação de leituras automatizadas da pressão arterial em consultório com outros métodos de medição da pressão arterial para identificar pacientes com possível hipertensão. Uma revisão sistemática e meta-análise

A medição automatizada da pressão arterial no consultório (PAA) envolve o registro de várias leituras da pressão arterial (PA) usando um esfigmomanômetro oscilométrico totalmente automatizado, com o paciente descansando sozinho em um local silencioso. Embora vários estudos tenham mostrado que a medição da PAA é mais precisa do que a medida rotineira da PA no consultório e não está sujeita a um “efeito do jaleco branco”, a evidência cumulativa ainda não foi sistematicamente revisada.

O objetivo deste estudo, publicado no Journal of American Medical Association, foi realizar uma revisão sistemática e meta-análise para examinar a associação entre PAA e as leituras de PA no consultório, medidas na prática clínica rotineira e em estudos de pesquisa, e a PA ambulatorial registrada durante as horas de vigília, pois esta última é padrão na predição eventos cardiovasculares futuros.

Foram pesquisadas as bases de dados MEDLINE, Embase e Cochrane entre 2003 e 25 de abril de 2018. Foram incluídos na analise os estudos sobre a medida da pressão arterial sistólica e diastólica pela PAA em comparação com a PA de vigília, PA de consultório de rotina e medidas de PA de pesquisas caso contivessem 30 participantes ou mais. As características do estudo foram abstraídas independentemente e foram conduzidas meta-análises e metarregressões de efeitos aleatórios. O desfecho primário foi definido como as diferenças médias agrupadas (IC 95%) da PA sistólica e diastólica entre os tipos de medida de PA.

Os dados foram compilados a partir de 31 artigos, compreendendo 9.279 participantes (4.736 homens e 4.543 mulheres). Em amostras com PAA sistólica de 130 mmHg ou mais, as leituras de pressão sistólica e de pesquisa de rotina foram substancialmente mais altas, com uma diferença média agrupada de 14,5 mm Hg (IC 95%, 11,8-17,2 mmHg; n = 9; I2 = 94,3%; P <0,001) para leituras de pressão sistólica de consultório de rotina e 7,0 mmHg (IC de 95%, 4,9-9,1 mmHg; n = 9; I2 = 85,7%; P <0,001) para leituras de PA sistólica de pesquisas. As leituras de PA de vigília e PAA foram semelhantes, com uma diferença média agrupada de 0,3 mmHg (95% IC -1,1 a 1,7 mmHg; n = 19; I2 = 90%; P <0,001).

De acordo com os pesquisadores, as leituras automatizadas da pressão arterial, apenas quando registradas adequadamente com o paciente sentado sozinho em um local silencioso, são mais precisas do que as leituras da PA de consultório na prática clínica de rotina e são similares às leituras da PA de vigília, sendo a média da PAA desprovida do “efeito do jaleco branco”. Alguns médicos têm apresentado alguma relutância em adotar essa técnica devido as incertezas sobre suas vantagens em comparação com os métodos mais tradicionais de registro da PA durante uma consulta no consultório. Com base nas evidências apresentadas no estudo, a PAA deve ser o método de preferência para registrar a PA na prática clínica de rotina.

 

Deixe um comentário