HDL elevado podem não ser saudável na Pós-Menopausa

Geralmente, se considera positivo quando as pessoas apresentam altos níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL), o chamado colesterol bom, mas isso pode não ser verdade para todos. Um novo estudo, publicado pelo periódico Arteriosclerosis, Thrombosis and Vascular Biology, revelou que níveis mais altos de colesterol HDL podem não ser sempre saudáveis para os corações das mulheres na pós-menopausa.

O colesterol HDL protege o coração transportando o colesterol LDL, chamado de colesterol “ruim”, para longe das artérias até o fígado, onde pode ser metabolizado e eliminado do organismo, como explica uma reportagem publicada no portal Live Science. Em geral, possuir níveis altos de HDL, associados com níveis baixos de LDL, é considerada saudável.

Porém, nesse novo estudo, os pesquisadores identificaram que um nível mais alto de colesterol HDL, medido por um exame de sangue rotineiro que avalia o colesterol total transportado pelas partículas de HDL, nem sempre pode ser tão protetor para as mulheres na pós-menopausa. Além disso, a descoberta sugere que o uso deste método convencional de medir o colesterol HDL pode não prever com precisão o risco de doença cardíaca nas mulheres na pós-menopausa.

Os autores do estudo explicam que, medir o colesterol HDL não é tão simples quanto pode-se pensar. O colesterol HDL não é um único tipo de partícula, mas sim uma família de partículas encontradas no sangue, e essas partículas têm diferentes tamanhos, formas e composições.

Segundo o estudo, uma outra técnica, conhecida como análise de mobilidade iônica, pode examinar melhor o tamanho e o número de partículas de HDL e fornecer aos médicos uma compreensão mais precisa sobre o efeito do HDL no coração nas mulheres na pós-menopausa. Esta técnica não é utilizada atualmente em testes de colesterol de rotina, mas tem sido utilizada em ambientes de pesquisa.

Na pesquisa, os autores analisaram dados coletados de cerca de 1.400 mulheres, com idades entre 45 e 84 anos, que fizeram parte de um estudo de longa duração sobre aterosclerose ou endurecimento das artérias. As mulheres estavam na pós-menopausa ou na perimenopausa. Os pesquisadores avaliaram os níveis de colesterol HDL das mulheres utilizando tanto o método convencional, quanto o método de mobilidade iônica.

O estudo constatou que as participantes com níveis mais elevados de HDL, determinado pelo método de teste convencional, tinham um risco maior de aterosclerose do que aquelas com menor HDL. As mulheres pós-menopáusicas com maiores concentrações de partículas de HDL, baseadas em testes de mobilidade iônica, tiveram um menor risco de aterosclerose. O risco de aterosclerose foi medido por imagens ultrassonográficas de uma artéria principal do corpo.

Mas não foi apenas o número de partículas de HDL medidas pelo teste de mobilidade iônica que fez diferença no risco cardíaco. O tamanho também é importante: um número maior de pequenas partículas de HDL esteve associado a um menor risco de aterosclerose, enquanto que um número maior de partículas de HDL esteve associado a um maior risco de aterosclerose, especialmente em mulheres próximas à menopausa.

Esse achado sugere que as partículas grandes de HDL podem ser mais propensas a disfunções nas mulheres próximas à menopausa, disseram os autores ouvidos na reportagem. Essa disfunção pode ser ocasionada por uma variedade de outras alterações que ocorrem no corpo das mulheres neste momento, o que as torna vulneráveis à aterosclerose, incluindo mudanças nos hormônios sexuais, especialmente declínios no estrogênio, níveis elevados de outros lipídios (como o LDL), mudanças na distribuição de gordura no corpo, e alterações na saúde dos vasos sanguíneos.

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