Semiologia Básica 6 - Vascular

Semiologia Básica 6 - Vascular

6 – Vascular

A análise da vascularização no paciente é feita tipicamente analisando os membros (tanto superiores, quanto inferiores). Como durante o restante do exame físico acabamos explicando a análise dos pulsos no membro superior, iremos nos focar aqui na análise dos membros inferiores (MMII). Muitas vezes negligenciado (sendo analisado apenas quando há queixa específica do paciente), o exame físico dos MMII é de grande ajuda na formulação de hipóteses diagnóstica, complementando o restante dos achados. Além disso, deve-se lembrar de que, em uma primeira consulta, é interessante realizar um exame físico completo do paciente. Outro fator importante a ser considerado é que a grande maioria da população que atendemos no EMA apresenta queixa de varizes ou claudicação, tornando-se mandatório o exame dos membros inferiores. Assim, quando falamos de sistema arterial nos membros inferiores, temos que verificar os pulsos arteriais acessíveis. Dentre eles, estão os das artérias:  Femoral: entre a espinha ilíaca ântero-superior e a sínfise púbica, logo abaixo do ligamento inguinal.  Poplítea: no cavado poplíteo, atrás do joelho.  Pediosa: no dorso do pé, entre músculo extensor longo do hálux e extensor longo dos dedos (no topo do pé, próximo ao dedão).  Tibial posterior: logo atrás do maléolo medial.

Em relação ao sistema venoso, a maioria (cerca de 90%) do sangue é drenado pelas veias profundas, que são muito bem protegidas pelos tecidos circundantes. Dessa forma não são visíveis ou palpáveis normalmente. A eficiência em drenagem delas depende, dentre outros elementos, das válvulas que as compõe e pela atividade muscular. O exame físico propriamente dito terá apenas duas etapas: inspeção e palpação.

6.1 – Inspeção

Os membros devem ser avaliados como um todo, portanto, devemos analisar tamanho (avaliar se não existe desproporção entre os membros), simetria, cor (verificar alterações de cor, como dermatite ocre – explicada abaixo) e textura da pele, leitos ungueais (para verificar a presença de perfusão periférica), padrão venoso e presença de edemas (inchaços) e sinais flogísitcos (são sinais inflamatórios: dor, calor, rubor, tumor e perda de função).

Para fazer a avaliação do sistema venoso, o paciente deve estar em posição ortostática (em pé), para que se dê o possível diagnóstico de insuficiência venosa observando-se as veias varicosas cheias. Essas veias ocorrem em razão da falha do sistema valvar venoso. Outra alteração possível decorrente da estase sanguínea é a formação de dermatite ocre, caracterizadas pela coloração acastanhada da pele decorrentes da deposição de hemoglobina degradada na pele. Avaliando o sistema arterial, no caso de insuficiência arterial periférica, a pele pode estar pálida e fina (por vezes com formação de úlceras), podendo ter alterações tróficas, redução de pelos.

6.2 – Palpação

Devemos executar a palpação dos pulsos em regiões onde as artérias ficam superficializadas, como já explicado acima. Em pacientes com insuficiência arterial periférica, os pulsos estão diminuídos ou ausentes (já que as artérias deles estão com um calibre menor, frequentemente causado pelo processo aterosclerótico – deposição de colesterol na parede dos vasos). Geralmente esses pacientes apresentam a chamada claudicação intermitente (dor em queimação ao andar que melhora com repouso). É sempre mandatório verificar a presença de edema de membros inferiores. Sinal muito frequente, está associado a diversas patologias (à congestão do território venoso – por insuficiência cardíaca, por exemplo; à baixa osmolalidade sanguínea – apresentando-se de forma generalizada; à vasodilatação resultante de um processo inflamatório, dentre muitos outros motivos). Classifica-se o edema em depressível ou não. Caso seja depressível, existirá um sinal chamado de Godet, que consiste em realizar uma dígito-pressão contra o osso na porção edemaciada (região tibial anterior) formando uma depressão que demorará para retornar ao padrão original – conforme ilustra a. Além disso, gradua-se o edema de acordo com sua intensidade em uma escala de 4 cruzes.

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